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Entrevista: Ricardo Gomes

Posted in Entrevistas on 22 Junho, 2009 by fcsaopaulo

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Ricardo Gomes é esperado na tarde desta segunda-feira no CCT da Barra Funda para assinar contrato de um ano com o São Paulo e já discutir o planejamento da equipe para o restante do Campeonato Brasileiro.

Antes de tomar a ponte aérea no Rio de Janeiro, o treinador falou rapidamente por telefone ao UOL Esporte sobre a crise por que passa o time e a nova empreitada em sua carreira.

O carioca, de 44 anos, mostrou-se irritado com comentários de que sua contratação teria sido facilitada por ser genro do presidente da CBF, Ricardo Teixeira.

Segundo tal teoria, sua vinda seria uma manobra de Juvenal Juvêncio, mandatário do São Paulo, para estreitar ainda mais suas relações com a entidade, visando a escolha do Morumbi como palco paulista da Copa do Mundo de 2014. “Isso é um absurdo completo”, protestou.

Também foi lacônico ao comentar a declaração do vice-presidente de futebol Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, de que seria uma incógnita à frente do time tricampeão brasileiro. Confira a entrevista.

UOL Esporte – Assistiu à partida contra o Corinthians? Que análise faz do comportamento do time?
Ricardo Gomes – Não quero falar desse aspecto até me reunir com a diretoria. Mas o São Paulo começou muito bem, como contra o Cruzeiro.

Você disse nos últimos dias que só havia assistido a uma partida do São Paulo antes da sua contratação. É possível diagnosticar à distância os defeitos do time?
Não tem nada melhor do que o dia a dia. Você pode ver 100 jogos pela TV, mas nada substitui o trabalho. Quando você improvisa, é porque tem uma carência, e porque provavelmente você não tem uma solução. Essa carência você só consegue diagnosticar no dia a dia.

E qual carência mais te preocupa?
Não quero falar sobre isso antes de me reunir com a direção.

O São Paulo vem sendo muito criticado pela forma mecânica de jogar, baseada em cruzamentos na área. O que se pode fazer para implantar um padrão de jogo diferente?
O treinador faz uma análise dos pontos fortes do elenco, de que forma ele pode colocar o adversário em dificuldade, e aposta nesse estilo. Talvez a melhor opção que o time encontrou foi essa, por falta de outra.

Como foi o acerto com o São Paulo? Quando aconteceu o primeiro contato com o Juvenal?
Ele me procurou na sexta-feira à noite. Perguntou se eu queria permanecer no Brasil, porque eu estava só de férias aqui e vinha discutindo com outros clubes. Da minha parte foi fácil chegar a um acerto.
Gomes estava negociando sua transferência para o futebol do mundo árabe

O São Paulo já teve interesse em você em outros anos, inclusive antes da chegada do Cuca, em 2004. Por que não deu certo?
Sinceramente não lembro. Já tive outros convites, mas não lembro.

Você ficou marcado pela eliminação no Pré-Olímpico e por passagens apagadas por Flamengo e Fluminense, antes de ir para a Europa. No que você evoluiu nesses dois anos no futebol francês?
O futebol lá é muito diferente, o trabalho lá é feito de outra forma. Me sinto preparado para comandar o São Paulo.
À frente do Monaco, Gomes foi 11º e 12º colocado nas duas últimas edições do Campeonato Francês

Como você reagiu à declaração do vice de futebol Carlos Augusto Barros e Silva, o Leco, de que você é uma incógnita?
Talvez tenha sido porque eu passei uma época da minha carreira no exterior. Mas isso você tem que perguntar a ele.

O que responde àqueles que dizem que você não tem currículo para dirigir o São Paulo?
Não tenho nada a falar.

Fonte: Uol

Entrevista : Marcelo Monteiro

Posted in Entrevistas on 17 Fevereiro, 2009 by Katia Regina Firmino

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BLOG DO ZANQUETTA: 1) Como é para você fazer um blog de Memórias do Esporte?

Marcelo Monteiro: Gosto muito. O Blog foi lançado no final do ano (Memória Esporte Clube) e é algo que gosto muito de fazer. O passado não interessa somente para quem viveu o passado. Os jovens também têm interesse e ficam satisfeitos quando têm acesso a esse tipo de informação. Tenho muito prazer em realizar este tipo de pesquisa.

BZ: 2) Qual a importância do trabalho dos pequisados das memórias do esporte? Há alguma lenda ou mito que tenha ficado eternizada no mundo dos esportes, em especial do futebol?

MM: O trabalho dos pesquisadores é importante no sentido de vasculhar a história do esporte. Sobre lendas ou mitos, há uma lenda que envolve um Fla x Flu de 1941, que conta que os jogadores chutavam a bola para a lagoa para que atrasasse o jogo.

Outra lenda que ficou famosa foi sobre o primeiro treino do Garrincha no Botafogo. Ele chegou para treinar , como ponta-direita e o Nilton Santos jogador consagrado e de seleçao brasileira era lateral esquerdo e teve a missão de marcá-lo e aí ficou para a história que o Garrincha nesse primeiro treino teria dado um baile no Nilton Santos, driblado várias vezes para frente e para trás e que esse teria dito aos dirigentes e comissão técnica do Botafogo: olha, contratem esse cara porque senão ele irá me driblar caso vá para outro time. Nilton Santos foi questionado muitas vezes por conta disso, chegou a confirmar a história algumas vezes mas certa vez disse que não foi bem assim, que não houve esse “baile” e que ele só confirmava essa história porque muita gente acabava perguntando muito sobre isso.

Tem uma outra história, que considero um pouco “carregada” . É da época da copa de 50 , no dia da final entre Brasil x Uruguai. O capitão deste time, Obdúlio Varela teria saído na manhã do jogo para dar um passeio, ido até a praia do Flamengo e durante a caminhada teria visto em bancas capas de jornais com manchetes que estampavam : Brasil campeão do Mundo. E aí, a lenda que se criou é que Varela teria percorrido várias bancas de jornais e comprado todos os exemplares desses jornais e levado para concentração do Uruguai e mostrado para os jogadores para motivá-los, que teria pedido para que os jogadores urinassem nesses jornais. Isso até hoje não foi desmentido e é uma história um pouco fantasiosa. Tem a continuação da história, que depois do jogo, já com o Brasil derrotado e o Uruguai campeão , Varela teria saído novamente do mesmo hotel, passeado pelas imediações e entrado em um bar em que vários brasileiros tristes com a derrota estariam afogando suas mágoas ali, bebendo e ele se juntou àquela tristeza brasileira e começou a beber com as pessoas que estavam ali, sem se identificar que era jogador do Uruguai, em uma forma de solidariedade aos brasileiros. A história é curiosa e interessante demais então não parece ser muito real mas por ser tão interessante e curiosa acaba tornando-se uma verdade porque as pessoas vão repetindo-a mas que é muito difícil de ser confirmada.

Tem uma outra lenda, da copa de 58 também, que conta que o Nilton Santos e o Didi teriam influenciado o treinador, Vicente Feola, a escalarem Garrincha e Pelé na terceira rodada antes do jogo contra a União Soviética. Ou seja é uma coisa que muita gente admitiu, que outros diziam que eles não tinham esse poder de influência para indicar escalação para o treinador. É uma coisa que ganhou contornos de verdade mas que até hoje possuem condições divergentes e que não dá para confirmar que realmente existiu

BZ: 3) Os dados , os números, as histórias passadas ajudariam no seu conceito a um melhor entendimento e avaliação do que é hoje o futebol?

MM: Não tenho dúvidas. Lógico que o futebol mudou muito de uns 30 anos para cá. Antigamente existiam os pontas hoje já não existe mais, nos anos 50 os times jogavam com 5 atacantes e hoje joga-se apenas com 2 mas com certeza as experiências passadas são muito úteis para que erros que aconteceram não sejam repetidos. Isso é de hoje e no passado também. Ouvimos muitos exemplos onde podemos citar o São Paulo, que é considerado modelo de organização de clube ,creio que sirva de exemplo para outros clubes, como modelo de ct bem equipado, de manutençao de treinador, etc. Acho que experiências do passado e as recentes e bem sucedidas podem ser observadas e adotadas por clubes, técnicos , times e etc.

BZ: 4) Quais os métodos e fontes utilizadas nas pesquisas e buscas para obtenção das informações?

MM: Acredito que hoje a internet facilita muito nessas pesquisas porém deve-se ter muito cuidado pois encontramos muitas informações na internet porém nem sempre elas estão corretas, não se sabe quem disponibilizou aquela informação. Acho que esse canal facilitou muito o trabalho de pesquisa e hoje existem muitos pesquisadores que se dedicam a descobrir a história dos clubes, dos campeonatos, das seleções, fazendo trabalho aprofundados, pesquisas em documentos de época, jornais e revistas traçando um panorama completo da história dos clubes, número de jogos, jogadores que atuaram. Creio que os livros ainda são fontes muito importantes de pesquisa sobre a história dos esportes e do futebol. Mas a internet, sem dúvida nenhuma , é uma fonte muito rica mas precisa-se sabem bem onde pesquisar, procurar certificar-se se aquelas fontes são confiáveis para não cometer erros.

BZ: 5) Atualmente há um crescente interesse dos clubes em explorar por meio de filmes, documentários e especiais o seu passado e antigos ídolos. Este campo poderia ser expandido e melhor explorado de que forma pelos clubes brasileiros em sua opinião?

MM: Acho que ainda precisa melhorar bastante. São poucos os clubes do Brasil que possuem memoriais sobre a história dos clubes. Aqui no Rio, por exemplo, nenhum clube tem esse tipo de memorial, que por exemplo, até cobre ingresso e as pessoas possam ver, observar os troféus, as taças, camisas históricas, fotos de jogadores e lembranças. Lá fora a gente vê que tem muito mais este tipo de espaço, como por exemplo o Real Madrid, Barcelona e são locais de grande visitação. Acho que precisa melhorar neste aspecto a preservação do passado dos clubes. Alguns já estão mais avançados que outros mas precisa melhorar bastante. Em relação a filmes, documentários, hoje vemos alguns clubes tendo esta iniciativa, como por exemplo o SPFC que lançou recentemente o DVD da conquista do Hexacampeonato Brasileiro, o Internacional de Porto Alegre lançou o DVD sobre a conquista do Mundial Interclubes assim como o Grêmio que lançou sobre a Batalha dos Aflitos mas o que percebo é que são filmes, documentários sobre eventos muito recentes. Poderia-se tentar produzir produtos sobre fatos mais antigos, sobre eventos que as pessoas não tem tanta informação e que poderia passar a conhecer melhor do que eventos tão recentes que aconteceram no ano passado, em 2008, em 2005, coisas que estão ainda muito “frescas”na cabeça das pessoas. Lógico que é importante preservar até para que no futuro as novas gerações possam conhecer mas sinto falta de livros, fatos culturais patrocinados pelos clubes que lembrem histórias mais antigas e não eventos tão recentes.

BZ: 6) Em um dado momento da sua carreira você passou a trilhar os caminhos da imprensa virtual. Há algum motivo especial ou aposta pessoal no segmento?

MM: Comecei a trabalhar com internet em 1998 em um primeiro projeto da Globo relacionado a esporte, o site Globo na Copa, que foi preparado para a Copa do Mundo de 1998. Não foi nada planejado e sim uma oportunidade que surgiu mas foi muito prazeroso e desde então venho trabalhando com isso(não o tempo todo com esporte mas a maior parte dele). Essa parte de memórias, preservação da história, no Globoesporte.com e o Blog é uma coisa mais recente porém é algo que já me interesso há algum tempo e agora consegui conciliar com meu trabalho profissional.

BZ: 7) Qual é a sua opinião sobre os blogs como o nosso, feito por torcedores , na web?

MM: Acho muito importanto criar um contato entre os torcedores, divulgando informação dos clubes e acabam ajudando até os própríos jornalistas pois vira fonte de informação. É legal também que os blogs tenham também a linha de respeito para com os outros torcedores. Sempre digo que um clube sempre precisará de seu grande adversário senão irá jogar sozinho. Essa rivalidade é importante mas os donos dos blogs tem a responsabilidade de não insuflar a violência e de tentar alimentar uma rivalidade sadia que é que dá a graça ao futebol.Sempre houve a gozação entre os torcedores quando um time perde porém hoje em dia as pessoas estão levando isso muito à sério e o resultado de um jogo acaba se transformando em motivo para violência, conflito. Por isso, os blogs tem esse papel também de não alimentar essas discussões além de um certo limite.

BZ: 8 ) Muitas vezes “postamos”notícias nos blogs retiradas de outras fontes, como por exemplo a Globo.com. Claro que sempre informamos a fonte porém alguns jornalistas já se mostraram incomodados com isso. Qual sua opinião sobre isso, sobre “postarmos” notícias de outros veículos?

MM: Acho que não há problema nenhum, desde que seja informada a fonte. Como disse anteriormente, nós jornalistas também usamos os blogs como fonte de informação então acho que deve existir sim essa troca de informações entre os canais.

BZ: 9) Sob uma análise crítica, como você vê a imprensa esportiva nacional?

MM: Acho que vem melhorando, cada vez mais aumentando o número de canais de TV a cabo especializados em esporte transmitindo mais eventos. Ainda encontramos alguns problemas onde mistura-se propaganda com noticiário mas melhorou muito. Hoje o torcedor, o interessado em futebol, por exemplo, encontra uma grande variedade de informações seja na internet, TV. Acho que o nível vem melhorando e a tecnologia tem contribuido para a melhora desta qualidade.

BZ: 10) Como jornalista , que atitudes e idéias você sugere para melhorar o mundo do futebol(bastidores, imprensa, dirigentes, etc)?

MM: Hoje em dia muitos clubes não abrem muito as portas para a imprensa, restringem um pouco o acesso, em entrevistas coletivas apenas um ou outro jogador é autorizado a dar entrevista. Nesse ponto os clubes poderiam ajudar um pouco mais a imprensa. Claro que ninguém precisa ficar 24 horas disponível mas deve-se lembrar que o interesse maior da imprensa é levar a informação até a o público então acredito que poderia ocorrer uma maior flexibilidade por parte dos clubes e até dos dirigentes.

Marcelo Monteiro é jornalista há 14 anos. Trabalhou na sucursal do Rio do jornal “Folha de S. Paulo” e atua em sites desde 1998. Na retaguarda, participou da cobertura das Copas de 1998, 2002 e 2006. Atualmente é responsável pelas áreas de memória e estatísticas do GLOBOESPORTE.COM. Tem como hobby uma modesta coleção de itens antigos relacionados a futebol.

Link para o blog do Marcelo Monteiro: http://colunas.globoesporte.com/memoriaec

Entrevista: Vanessa Ruiz

Posted in Entrevistas, Kátia Firmino on 4 Fevereiro, 2009 by Katia Regina Firmino

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Blog do Zanca: Por que você decidiu trabalhar com imprensa esportiva, já que o meio é repleto de homens e majoritariamente machista?

Vanessa Ruiz: Sempre tive como hobby jogar futebol. Joguei handball e futebol na faculdade, apesar de ser pequena. Quando falo, o pessoal tira sarro (rs), mas isso não tem nada a ver. Afinal, habilidade não tem nada a ver com tamanho! Enfim, tinha o esporte como hobbie, mas nunca passou pela minha cabeça trabalhar com isso. Tinha outras metas. Pensava em trabalhar com economia, jornalismo internacional. Porém, no último ano entrei na Globo e na CBN como estagiária e tinha um rodízio de profissionais. Em um determinado momento colocaram-me para trabalhar com esporte. E à medida que fui trabalhando com isso, senti que era o que realmente queria fazer. Talvez não imaginasse antes querer trabalhar com isso, pois sempre fui meio “caxias”. Não imaginava trabalhar com um hobbie, porém, percebi que era o casamento perfeito trabalhar com aquilo que eu realmente gosto, que me faz feliz e que acompanho desde pequena. E para demonstrar que estava gostando daquilo que estava fazendo, comecei a inventar pautas, reportagens mesmo que não fossem ao ar, essas coisas. E foi assim que acabei “ficando” no esporte. Sobre o machismo, posso dizer que nunca senti esse tipo de coisa. Lá na rádio, meu caminho foi muito natural. Procuro sempre fazer bem meu trabalho porque sei que sempre haverá alguém de olho por eu ser mulher. Neste caso, se eu falo uma besteira, acaba virando a maior besteira do mundo. Por outro lado, se você é um pouco boa acaba tornando-se um gênio, pois muita gente não acredita que você possa conhecer mesmo o assunto. Em São Paulo, a gente acaba não sentindo muito isso, trabalha-se normalmente como qualquer pessoa. Fora da capital, até mesmo no interior, sente-se um pouco mais a diferença, pois não há tantas mulheres.

BZ: Como é a convivência  dos jogadores de futebol  com os setoristas? É meramente profissional? Ou existem casos de amizade fora das 4 linhas?

VR: Quando você está fazendo setorismo, acaba passando mais tempo no clube do que na redação. Convive-se mais com pessoas dos outros veículos e com o pessoal daquele clube. No ano passado cobri o Palmeiras e lá os jogadores, para irem até o vestiário, passam pelo local onde fica a imprensa e inevitavelmente começam a conversar conosco independente do assessor querer ou não. E nessa você acaba conhecendo mais o jogador, o pessoal da comissão técnica. No São Paulo não é tanto assim, pois os jogadores até passam pelo local onde está a imprensa, mas não batem tanto papo. Contato maior você acaba fazendo durante viagens com o clube. No Santos, por exemplo, você fica bem distante dos jogadores. Tem muito repórter que é amigo pessoal de jogador de futebol. Eu, particularmente, não sou amiga pessoal de nenhum deles. Isso, a meu ver, acaba até atrapalhando, pois pode criar um compromisso e comprometer na hora de noticiar algo sobre aquele jogador. Se um dia eu tiver um amigo jogador, irei desculpar-me, mas noticiarei algo que ele fizer. Antes de tudo, deve ficar claro que sou jornalista, uma profissional. Deve-se separar o lado pessoal do profissional.

BZ: Como você avalia o São Paulo de 2009?

VR: É a promessa de uma equipe SENSACIONAL. O clube é muito ágil. Lembro que no final de 2007, fiz algumas matérias especiais para avaliar o que deu certo, porque o time conseguiu ganhar por dois anos consecutivos, entre outros. Uma das perguntas que foram feitas é: será que o time do São Paulo continuará dominando em 2008? E a resposta foi positiva, principalmente pelo lado administrativo do clube. O time nem começou o ano de 2008 bem, foi desclassificado na Libertadores e ainda teve toda aquela história de tabu no Brasileirão, de que o time que vence o primeiro turno é o time que será campeão, mas o São Paulo quebrou isso e ficou confirmado o que muitos dos especialistas haviam dito naquela reportagem, que o São Paulo conseguiria manter-se no topo porque segurou as principais peças do time e foi paciente com o trabalho do treinador. Também achei as contratações incríveis e muitas não foram concretizadas no começo do ano, mas antes do término do campeonato, o que confirma um bom planejamento do clube. O São Paulo foi bem rápido e tudo foi muito bem passado. Acho difícil que alguma dessas contratações não deem certo no clube.

BZ: Como você avalia a imprensa esportiva nacional?

VR: É muito diferente uma da outra. São estereótipos, na verdade. Por exemplo, a imprensa gaúcha é muito crítica, pega muito no pé se o time vai mal, a do Rio de Janeiro é mais alegre, a de São Paulo é mais crítica no ponto de vista deles. A do Norte fica brava conosco se dizemos que o time de lá não é favorito para uma partida.

BZ: Qual sua opinião sobre Muricy e a forma com que ele lida com a imprensa?

VR: (Muitos risos.) No começo, achava tudo muito engraçado, mesmo se tomasse alguma “patada”, até porque não era setorista do São Paulo. Sei que os setoristas sofrem um pouco, mas a gente acostuma até porque o cara é muito respeitado principalmente por não ser mau-caráter. Ele nunca ameaçou repórter, por exemplo. É um baita de um treinador. Ranzinza, mas um grande treinador.

BZ: Como você, como jornalista, avalia e analisa muitos integrantes do futebol na política, como exemplo MAC e Aurélio Miguel?

VR: É uma posição delicada quando se entra na política na esfera municipal porque você está sempre lidando com questões ligadas a, por exemplo, a localização do patrimônio de um clube, entre outros. A gente sempre confia que a pessoa mantenha uma postura ética. Se essas pessoas que estiverem envolvidas na política fizerem coisas para o bem público, não há problema, mesmo que seja para melhorar a área da região do Morumbi. Porém, que seja benéfico para todos os moradores e não só para o clube.

BZ: Em épocas de transferências, há muita venda, invenção de notícias e especulações?

VR: Não sei dizer se existe comércio de notícias, mas, no meu ponto de vista, o que ocorre e que destroi o noticiário e o jornalismo é uma busca e uma cobrança desesperada que existe em cima de repórter por um “furo”, fazendo com que muito profissional desavisado ou despreparado veicule algo que foi dito mesmo que aquilo não se concretize, pois ele não pode correr o risco de o contrário acontecer e ele ser cobrado pelo chefe por não ter falado sobre aquilo. E, nessa história, a imprensa acaba virando cartaz, “outdoor” ou até mesmo balcão de negócio. Acho isso muito complicado. Eu, por exemplo, evito colocar empresário de jogador no ar, pois sabemos que existem muitos interesses em jogo, tento ao máximo apurar a verdade, conseguir notícias diretamente do jogador e não só do empresário, enfim, nas rádios (CBN e Globo), tomamos um grande cuidado com aquilo que veiculamos.

BZ: A época das especulações é uma das mais difíceis para os jornalistas. Acontece de dirigentes confidenciarem informações aos jornalistas, mas pedirem segredo? Podemos afirmar que estes mesmos dirigentes  cedem informações contraditórias para não transpassar nada de concreto?

VR: Isso existe. Chama-se “ventilar” notícia. E isso vem não só de dirigente, mas também de empresário, jogador, até mesmo para valorizar uma possível contratação ou atrapalhar uma negociação do time rival. A imprensa acaba virando uma espécie de palanque de todos os lados. Nessa hora exige-se um cuidado redobrado para que não se veicule nada que não seja realmente verdadeiro.

BZ: É possível que o clube exija um jornalista A ou B para cobrir o dia a dia do clube, ou peça sua saída por rusgas, atritos entre outros, ao veículo ao qual ele se reporta?

VR: Oficialmente, isso não existe. Só se existir algum diretor de um clube que seja amigo do dono do veículo. Mesmo porque a maioria dos meios quer que o jornalista consiga desempenhar um bom trabalho. Às vezes, se o veículo notar que um jornalista ou outro esteja “batendo boca” com algum técnico, por exemplo, esse profissional será chamado para uma conversa, para que seja avaliado o que está acontecendo. Mas falo isso pela rádio em que trabalho, pela Globo e pela CBN. Não posso responder pelos outros veículos. E até por ser no meio jornalístico, é capaz que se um clube venha a solicitar que algum profissional seja afastado, esse veículo, por isso mesmo, mantenha-o lá, por sentir que se o profissional incomoda é porque ele é realmente bom. Isso se o cara for competente, né? Se não for e ainda só causar brigas, até deve ser afastado… do jornalismo.

BZ: Se você pudesse propor ou alterar a imprensa esportiva do Brasil, o que você mudaria?

VR: Pensando no geral, existem dois movimentos que são contrários e muito discutidos que dizem respeito à questão da regionalização e da nacionalização. Nisso, não existe uma verdade ou mentira. Tem gente que defende que os programas devem ser nacionais e que devem abordar tudo, todas as regiões e outros que defendem que os programas devem ser regionais. Acho complicado impor, por exemplo, ao público do Norte e do Nordeste, um programa que fale única e exclusivamente sobre o futebol do Sul e do Sudeste. Precisaria haver um investimento para que houvesse programas regionais para valorizar a cultura e debater os problemas de cada lugar. Estou falando de rádio e TV, claro. Essa é minha opinião. Não é nenhuma verdade com “V” maiúsculo. Quanto às revistas, estão pipocando títulos sobre futebol. Gosto muito da Trivela e da Placar, que são bem diferentes e se complementam em alguns aspectos, já que a segunda é mais voltada a perfis e ao futebol brasileiro, e a primeira, a futebol internacional. Falta uma revista forte para tratar de esportes em geral, seria algo que eu gostaria muito de ler (e de fazer).

Vanessa Ruiz é jornalista, atualmente no departamento de Esportes das Rádios Globo e CBN. Possui um blog onde comenta sobre futebol, automobilismo e sobre a vida.

A Equipe do Blog do Zanquetta agradece à Vanessa Ruiz por sua disponibilidade em nos atender e pela forma simpática como fomos recebidos.

Link do blog(Vanessa Ruiz): http://vanessaruiz.blogspot.com/

Entrevista Exclusiva – Jose Fuentes

Posted in Entrevistas, Kátia Firmino on 5 Janeiro, 2009 by Katia Regina Firmino

 

Jose Fuentes é um dos mais influentes empresários do mundo do futebol. Um dos maiores, ao lado de Juan Figger. Tem em sua carteira de clientes jogadores consagrados ,entre eles Juninho Pernambucano e Luís Fabiano. A equipe do Blog do Zanquetta conversou com este mega-empresário e pode descobrir um pouco mais sobre esta grande personalidade do futebol mundial, e claro, muito sobre o que envolve nosso Tricolor.

 

Segue abaixo:

 

1)Como funciona o negócio de contratar os jogadores?

Jose Fuentes: Existem vários caminhos. O primeiro: ir atrás, nos clubes para ver os jogos, aproximar dos atletas em fase de adolescência(a partir de 15 anos). Segundo: existem jogadores que atuam nos clubes, que são amigos da nossa empresa mas não possuem vínculo conosco e que estão sempre de “olho” em possíveis novos talentos. Terceiro: Pessoas sem vínculo com os clubes(ex-jogadores em sua maioria)

 

2)O que aconteceu de fato no ano passado entre  Juninho Pernambucano e o São Paulo?

Jose Fuentes: Não houve contato comigo por parte do SPFC. Essa notícia não tem fundamento.

 

3)O quanto vale a sua opinião  e a do jogador na hora de fechar um contrato?

Jose Fuentes: Diria que é 50% minha e 50% do jogador. Por trabalhar há muitos anos com os jogadores , há uma relação de muita confiança, muito respeito da parte deles por nosso trabalho. Tudo é avaliado. Desde estrutura de clube, salários. Para o jogador , o primeiro ponto nem sempre é o dinheiro. É avaliado , além da estrutura, se o jogador irá sentir-se bem naquele clube, se terá projeção. Verificamos todos os interesses do jogador.

 

4)A relacão clube/empresário é diferente com o São Paulo?

Jose Fuentes: Todo clube tem necessidades de vender jogador. No São Paulo não é diferente. Diria que o relacionamento com o São Paulo é o mesmo que temos com outros clubes. Claro que o SPFC é muito bem estruturado e possui à sua frente o Juvenal Juvencio, que é uma pessoa educada, que atende os telefonemas(ponto muito importante). E daí para frente nascem as negociações.

 

5)Como é o Juvenal Juvêncio na hora da negociacão?

Jose Fuentes: Juvenal Juvêncio é um profissional muito educado, que sabe escutar as propostas mas que defende os interesses do SPFC. Luta para conseguir vender mais caro e comprar mais barato(risos).

 

6)Acha que o Luís Fabiano voltará a jogar no Brasil, em específico no SPFC ?

Jose Fuentes: Voltará para o Brasil e para o SPFC. Até 2011 não se pode dizer nada. Mas com 31/32 anos ele voltará sim.

 

7) Quem o sr. gostaria de empresariar, além dos jogadores com quem já trabalha?

Jose Fuentes: Lionel Messi, Cristiano Ronaldo(muitos risos de ambas as partes). Esses já são bem assessorados.

 

Quanto menor o número de jogadores em nossa carteira, mais acessível somos, mais amparo e atenção poderemos dar. É claro, ainda temos que conciliar nossa vida profissional com a vida pessoal. Cuidar da carreira de um jogador não é fácil!!!

 

8)  O que pesa mais para o jogador na hora de escolher entre dois ou mais clubes?

Jose Fuentes: Veja bem: tem jogador de primeira e terceira divisão. Um jogador de terceira divisão nunca receberá uma proposta do Real Madri ou do Milan. Temos de ser realistas. Para esses jogadores verificaremos a estrutura do clube, condições de títulos e de ascensão em sua carreira. Para os jogadores de primeira divisão, daqui do Brasil, não tem jeito: aspiram por jogar na Europa. Porém deve-se verificar o seguinte: de que adianta um contrato com um Manchester United , ganhar muito dinheiro porém ser o terceiro reservae não tem a mínima chance de jogar pelo time? Tudo isso deve ser levado em conta. Muitas vezes um outro clube tão bom quanto oferece menos porém com uma projeção maior.

 

9) Além de Juninho Pernambucano e Luís Fabiano , quem mais o sr. empresaria?

Jose Fuentes: Edmilson(Villareal), Edu(ex-SPFC e atual Betis de Sevilla), Lucas(Gamba Osaka), Rychely(F.C Tokio e em 2009 jogará pelo Bahia) e outros de categorias inferiores.

 

10) Como o São Paulo Futebol Clube é visto no mundo dos negócios futebolísticos.?

Jose Fuentes:Por ser três vezes campeão do Mundo e Ccampeão   é um clube muito bem visto fora do Brasil. Por conta disso há muito interesse de jogadores em jogar em um clube com uma estrutura diferenciada como a do São Paulo . E claro que há interesse em se negociar com esse tipo de clube.

 

11) O sr. acha que  há um número exagerado de empresários no mercado da bola?

Jose Fuentes: Existem muitos sim. Mas nem todos estão catalogados ou reconhecidos pelo clube. Uma coisa é achar um jogador e ser seu empresário, a outra é saber chegar em clube para negociá-lo.

 

12) O que o sr. pensa de empresas como a Traffic?

Jose Fuentes: Os clubes não são auto-suficientes para equilibrar suas finanças. A Traffic é uma empresa inteligente e que ajuda os clubes. Os clubes realmente precisam de empresas como essa para sobreviverem em seu dia-a-dia.

 

 

13) Clubes com a administração igual a que o São Paulo tem conseguirão sobreviver sem ter uma parceria?

Jose Fuentes: Um clube como o São Paulo sim. É um clube que pensa corretamente e trabalha com a política de “pés-no-chão”. Penso que outros clubes poderiam sobreviver também, mas teriam de ter uma outra mentalidade.

 

Obrigada Jose Fuentes por conceder-nos minutos de seu tempo para essa entrevista. Em nome do Blog do Zanquetta, desejo um Feliz Ano Novo!!

Jose Fuentes: De nada. Foi um prazer e desejo à todos um Feliz 2009.

 

 

Por: Equipe Blog do Zanquetta

Colaboração Especial: Kátia Firmino e Kai Fuchs